Um dia na biblioteca

Posted on 02/04/2007

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por André Martins
fotos: Raphael Rabelo

Idealizada por Pedro Ferrão Castelo Branco, ela foi a primeira biblioteca do Brasil e da América do Sul. Reinaugurada em 5 de novembro de 1970, hoje, é considerada a maior do estado. A Biblioteca Pública do Estado ou Biblioteca Pública dos Barris, como é mais conhecida, é um dos destinos mais procurados, na cidade, por aqueles que querem ter um contato maior com os livros. Mas passeando por seus andares vemos que, além do riquíssimo acervos de livros, existem os setores de arte, audiovisual, braile, o espaço infantil e as salas de cinema e vídeo. Cada um desenvolvendo um projeto, além do uso do acervo. “Nas salas e nos murais tentamos passar o máximo de informações para o leitor”, ressalta a funcionária Maria de Fátima.

Mesmo sendo um centro de informação, a biblioteca não deixa de ser um espaço que promove encontros da população com a cultura e da população consigo mesma, pois suas áreas externas também servem de point de encontro de jovens. “Venho todas as tardes aqui para ver minha namorada e meus brothers que estudam aqui também. Não freqüento a biblioteca, mas os banquinhos ali dentro sim”, falou o estudante Lucas Silveira, de 19 anos. No intervalo das aulas do colégio estadual, que funciona ao lado da biblioteca, os jovens fazem uso dos espaços abertos para namorar, conversar e até mesmo para realizar um ou outro trabalho do colégio. “Aqui eu me concentro melhor para estudar para prova, aí quando vem minhas amigas eu paro de estudar e ficamos contando os babados umas pras outras”, comentou a estudante da 8ª série Milene Cardoso, 16 anos.

barris_raphael-rabelo.jpgDesde que foi reinagurada após uma reforma, há sete anos, a Biblioteca Pública dos Barris reforçou suas normas de segurança para garantir que os livros tenham vida útil mais longa. Pesquisar, por exemplo, só usando lápis e folhas soltas de papel. A medida desagrada a muita gente, mas Jane Márcia, subgerente da Biblioteca, diz que o objetivo é evitar danos ao acervo: “Muita gente arrancava páginas de seu interesse para levar para casa”, comenta.

O setor de periódicos e revistas é o que recebe o maior número de visitas. Todos querem manter-se informados e atualizados. Na seção de revistas, as atuais ficam expostas para o leitor durante três meses, depois desse período elas vão para o acervo. “Faço uso desse setor para fazer um trabalho de memorização. Há dois anos atrás tive um acidente e tive que fazer o que eu tenho feito hoje em dia. Tornar a fazer várias leituras e lembranças de muitas coisas da minha própria vida”, disse Marcelo de Souza, de 32 anos, que atua no setor de vendas.

Há também a seção de recortes de jornais onde encontramos vários assuntos arquivados em pastas temáticas. “É uma ótima fonte de informação”, diz Edna Silva, responsável pelo setor. A estudante do 2º ano do Colégio Estadual Odorico Tavares Jucileide do Sacramento, de 17 anos, completa dizendo que a seção de recortes lhe ajuda muito nas pesquisas que os professores pedem. O setor ainda não é informatizado para o público, mas os documentos são facilmente encontradas no fichário. Os periódicos e revistas contam também com a exposição sobre o estado da Bahia, a cidade de Salvador, riquezas e folclore. Nos murais, cartazes sobre o que está acontecendo no momento.

Braile

O setor Braile é um espaço reservado para os deficientes visuais que contam com a ajuda de voluntários, de 18 a 78 anos. Estes, fazem leituras de jornais, revistas e livros. O serviço ocorre em plantões diários com quatro a cinco voluntários. “Costumo freqüentar este setor, porque ele possui um grupo de voluntários em que eu posso ter, de uma certa forma, acesso ao conhecimento. Isso tem me possibilitado estar estudando numa instituição onde a gente tem trabalhos pra fazer e aqui é um espaço onde eu posso estar executando meus trabalhos”, afirmou o estudante de bacharelado em Teologia Antônio Andrade, 27. Ele conta que esse grupo de voluntários existe devido à quantidade limitada que a biblioteca possui de livros em braile. “Trago os livros que tenho que ler e os voluntários dão esse auxílio de estarem fazendo a leitura pra mim”, complementa o estudante.

Quem precisar também pode fazer empréstimo de livros, fitas e CDs. Nesse espaço estlapa_raphael-rabelo2.jpgtambém são desenvolvidos alguns projetos. Os deficientes visuais contam também com um programa de computador, o DOSVOX, no qual a cada tecla apertada, o computador envia uma mensagem sonora dizendo qual foi a tecla. “No início fiquei assustado, mas já me acostumei. Todos meus trabalhos da faculdade faço utilizando esse programa. Quem preferir pode pedir para alguém digitar”, comenta Julio Mascarenhas, 22, aluno de Letras Vernáculas. Além disso, eles participam de oficinas de cerâmica, de embalagens, além de participar de programações culturais mensais e de concursos de literatura, palestras, entre outros, divulgados na revista mensal Bahia Cultural.

Agora, a Biblioteca dos Barris e o setor de braile estão desenvolvendo um projeto chamado: Projeto convivendo com as diferenças: Um resgate da cidadania, junto com o Centro Educacional de Tecnologia em Administração (CETEAD), onde ocorrerão cursos de auto-estima, oficinas de dança, teatro, inclusão social e palestras. “O projeto visa a inclusão social dos deficientes na sociedade. Queremos integrar os portadores de alguma deficiência com os não portadores em atividades que serão desenvolvidas a partir de oficinas, cursos e palestras, favorecendo assim a inclusão dos deficientes na sociedade”, explicou a coordenadora do setor, Gerusa de Souza.

Bahia

No setor de Cultura Baiana, encontra-se aproximadamente 7.742 volumes, escritos ou não por baianos. O espaço promove exposições em datas comemorativas sobre baianos ilustres e orixás. Há o projeto cruzada cultural, voltado para os jovens, que são palavras cruzadas sobre a cultura baiana. E também acontece a publicação de um jornalzinho, para os freqüentadores do espaço, que fala da cultura baiana. No momento está desativado. O setor é mais freqüentado por pesquisadores e estudantes de Turismo.

Mas o verdadeiro cartão de vista da biblioteca é o espaço infantil. “Tudo que tem nos outros setores nós temos aqui”, diz a assistente Shirley Costa. Há um acervo de pesquisa, há a gibiteca que seriam os periódicos, empréstimos de livros e sessão de vídeos. Todo dia 15 de cada mês, a contadora de histórias Bety Coelho conta histórias para as crianças. Até os próprios funcionários colaboram com o incentivo à leitura, fazendo ciclo de leitura. O setor conta também com oficinas onde realiza-se a confecção de brinquedos, cada mês com um tema diferente. Mas Shirley comenta que mesmo trabalhando com o incentivo à leitura, o espaço ainda é pouco divulgado. “Eu gosto muito de vir aqui, porque as tias contam historinhas muito legais”, disse Rafael Coelho, 7 anos. “É legal! Tem as revistinhas da Mônica para eu ler e tem também um montão de joguinhos”, completou Larissa Menezes, 8 anos.

O setor de audiovisual conta com um acervo de microfilmes de jornais raros, fotos, mapoteca, vídeos, coletânea de discos e CDs. Todas as quartas-feiras ocorre uma sessão de filme. Há salas reservadas para debates, simpósios, palestras, todas bem equipadas. No setor também ocorre a exibição de alguns filmes que foram indicados para o vestibular 2005 da UFBA. Como também já acontece na Sala Alexandre Robatto que passa filmes em vídeo e DVD com temas diversos, mas atualmente mostram os filmes indicados para o vestibular. “Eu gostaria de assistir um dos filmes do vestibular, porém é pouco divulgado. Nem os que estão passando na sala de vídeo lá em cima, nem aqui em baixo. Acho que deveriam divulgar mais nos veículos de comunicação”, reclamou a pré-universitária Marta Junqueira, 19 anos, estudante do cursinho DNA.

Na sala Walter da Silveira ocorrem mostras de filmes que não têm muito espaço nos cinemas convencionais. O espaço tem parceria com o Panorama Coisa de Cinema, onde fazem mostras de filmes e curtas, nacionais e internacionais. Em julho, o DIMAS, setor responsável pela sala Walter da Silveira e Alexandre Robatto, juntamente com a Biblioteca Pública do Estado promove o Julho em Salvador, que tem como objetivo abrir espaços antes não visitados pelo público e também trazer atrações que ainda não têm destaque na mídia.

(junho de 2004)

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